Seja Bem-vindo!
Este blog foi feito para a unidade curricular Tecnologias de Informação, em que eu escolhi fazer sobre a cidade onde resido de nome "Olhão". Espero que goste e se for possível que deixe a sua opinião sobre este trabalho. Obrigado! Cumprimentos, Adriana Neves. : )

domingo, 27 de março de 2011

Ria Formosa

Fundado em 1987, numa extensão de 60 Km pela costa algarvia, entre o Ancão (concelho de Loulé) e Manta Rota (concelho de Vila Real de Santo António), ocupa uma superfície de cerca de 18.400 hectares, abrangendo partes dos concelhos de Loulé, Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Sto António.
Grande parte da área corresponde ao sistema lagunar da Ria Formosa, um cordão de ilhas e penínsulas arenosas dispostas paralelamente à costa, protegendo uma laguna que forma um labirinto de sapais, canais, zona de vasa e ilhotes. Este cordão é constituído fundamentalmente pela Península do Ancão (que inclui a incorrectamente chamada "ilha de Faro"), as ilhas da Barreta, Deserta, Farol-Culatra (onde se encontra o farol de Sta Maria e a povoação piscatória da Culatra, frente a Olhão), ilhas da Armona-Fuseta, de Tavira, Cabanas e, finalmente, Península de Cacela.


quinta-feira, 24 de março de 2011

A Lenda da Moura Floripes

No sítio do Moinho do Sobrado, havia antigamente uma casa, onde aparecia à janela, noite fora, uma formosa mulher vestida de branco.
O único que se atrevia a andar por aquelas bandas à noite era um sujeito de meia-idade - o compadre Zé - que se embriagava e adormecia na rua, sem receio.

( Moinho do Sobrado (séc. XIX): actualmente o Grupo Naval de Olhão! )

Floripes, uma produção da JumpCut, é um híbrido entre o documentário e a ficção da autoria de Miguel Gonçalves Mendes. A longa-metragem, que conta com Catarina Barros, João Salero, João Sancho e Selma Cifka nos principais papéis e com a participação especial de Hugo Bezugh, retrata a lenda de Floripes, uma moura encantada que dissemina medo e sofrimento entre a comunidade de pescadores da cidade de Olhão. Evocar a lenda de Floripes serve também de pretexto para o confronto com um dos maiores medos da Humanidade: a morte.



A viagem do caíque Bom Sucesso ao Brasil









( casa baeta em Olhão )

A viagem do caíque Bom Sucesso caracteriza-se por ter permitido ao príncipe regente tomar conhecimento, em primeira mão, das revoltas populares algarvias contra os franceses, em particular da do lugar de Olhão, uma vez que os tripulantes eram todos eles olhanenses. Não só foi o primeiro correio marítimo entre Portugal e o Brasil depois da primeira invasão francesa, como também foi o meio pelo qual o lugar de Olhão foi elevado a Vila de Olhão da Restauração.
Os caíques, presumivelmente sucessores das caravelas, eram embarcações velozes e de grande resistência cuja principal função era a pesca e encontravam-se distribuídos pela costa do Algarve, em Setúbal e em Lisboa. Tinham também funções de cabotagem, transportando mercadorias na costa Portuguesa e dentro do Mediterrâneo em vários portos até à Grécia, havendo mesmo registos de uma viagem a Odessa no Mar Negro para carregar cereal no séc. XIX.


Este artigo centra-se mais precisamente no caíque utilizado no Algarve, mais concretamente no da comunidade piscatória de Olhão, pois esta “simples” embarcação de pesca fez parte de um feito memorável na história de Portugal.


Foi por alturas das invasões Francesas que Olhão acabaria por se afirmar, deixando de ser apenas um Lugar piscatório. Em Outubro de 1807 as tropas de Napoleão iniciam a invasão de Portugal com o apoio Espanhol, passando a dominar o país de Norte a Sul. No Algarve, é em Faro que as tropas invasoras instalam o seu posto de comando.


É a 16 de Junho de 1808, à porta da Igreja Matriz de Olhão, onde o povo se havia reunido, que a tropa invasora afixando um edital convidando os Portugueses a fazerem causa comum contra Espanha, (sua anterior aliada e agora traidora) que o Coronel José Lopes de Sousa, rasgando o edital, grita ao povo em desafio por uma atitude. O povo solidarizando-se com ele, inicia a revolta contra os Franceses e nessa própria tarde se sabe em Faro dos acontecimentos de revolta em
Olhão.


Os Olhanenses apenas armados com algumas espadas velhas, espadins, umas poucas espingardas, forcados, fisgas e pedras, foram de encontro ao inimigo fazendo-lhes espera na ponte de Quelfes. Lá deu-se início ao combate que acabaria por derrotar os invasores da povoação.


Esta rebelião deu início a uma sequência de revoltas por todo o Algarve e pelo país fora. Muitas das populações de outras tantas localidades oprimidas, agora motivadas pela coragem Olhanense, seguiram o seu exemplo e em pouco tempo os Franceses foram forçados a retirar para o Norte.


A família Real Portuguesa encontrava-se nesta altura exilada no Brasil, fugida antes da chegada das tropas Francesas a Portugal. Foi então que em Olhão, pescadores desta terra impulsionados pelo acto de coragem das suas gentes e pela queda em geral dos Franceses, decidem rumar ao Brasil num caíque de nome “Bom Sucesso” para dar a boa nova ao Príncipe Regente Dom Pedro de que os invasores se encontravam em debandada e o Reino dos Algarves era livre. Estes pescadores, apenas habituados a navegação costeira, fizeram-se ao mar em Julho de 1808 guiando-se pelas estrelas, correntes e um par de mapas rudimentares  e após dois meses de viagem chegam ao Brasil a 22 de Setembro. Durante a viagem fizeram curta escala na Madeira e depois perdendo o rumo, acostaram no território inimigo da Guiana Francesa em Caienae e depois disso em Pernambuco, terminando no Rio de Janeiro.


Foram recebidos pelo Príncipe com todas as honras e a própria travessia do Atlântico acrescentou à revolta vitoriosa um novo episódio de audácia e de heroísmo Português. Tamanhos feitos valeram ao então apenas Lugar de Olhão a elevação à categoria de Vila agora com o nobre título de Vila de Olhão da Restauração.
Todo este episódio foi tão importante que passados muitos anos, há registo de em 1841 o caíque ser ainda visitado por inúmeras pessoas do Rio de Janeiro que ficavam admiradas com o pequeno tamanho da embarcação, atracada na Ilha das Cobras.

Actualidade Olhanense!

Falar-se de Olhão implica à partida uma associação à imagem cubista criada na cidade. Do alto de uma torre, ou mesmo sobrevoando a cidade, constata-se a hegemonia quadrangular do seu casario branco, de açoteias e chaminés, contrastando com o azul marinho da Ria Formosa e as coloridas embarcações atracadas ou navegando próximo.

Olhão possui um dos maiores portos de pesca do nosso país, beneficiando também de uma riqueza ímpar oferecida pela Ria Formosa, nomeadamente em bivalves, marisco e pescado de diversas qualidades, de sabor incomparável.
Ao visitarmos Olhão, impõe-se uma passagem pelo bairro dos pescadores, pelos mercados e pelo porto de pesca com todo o seu bulício característico. É também indispensável uma visita à aldeia da Fuzeta, onde existe outro porto de pesca de grandes potencialidades, e uma passagem pelas aldeias de Quelfes e Moncarapacho. Disfrutar da beleza e do sossego existente nas ilhas do Farol ou da Armona, com seus extensos areais, é outro dos privilégios que qualquer visitante não pode perder.

Olhão está hoje em praticamente todos os roteiros gastronómicos do sul do país. Para além de deliciosos pratos de peixe que vão do xarém com sardinhas ao polvo no forno, ou aos chocos com favas, existe uma variedade de bivalves e marisco de paladar inigualável. Berbigão guisado ou ao natural é uma especialidade quase única mas que em Olhão pode ser saboreado em casas de pasto e tasquinhas tradicionais.

Com o festival do Marisco, que anualmente ali se realiza, Olhão passou também a ser considerado um dos melhores em termos de certames gastronómicos do país.

"Olhão - Capital da Ria Formosa", é a mais recente designação utilizada pela autarquia nas acções promocionais desenvolvidas.

Curiosidades

Desde a sua origem, no século XVII, que a história de Olhão está ligada à indústria pesqueira local. Enquanto em 1882 já funcionava aqui a primeira fábrica de conserva de sardinha e de atum, só naquele ano surgiram outras fábricas semelhantes noutras cidades da costa algarvia.
Olhão é uma pitoresca cidade da costa algarvia, com ruelas estreitas e casas em tons de azul e branco com chaminés em algeroz. O cenário de cor completa-se com a coloração avermelhada dos mercados municipais e as vivas tonalidades dos barcos de pesca, ou não fosse esta uma terra de pescadores. Aliás, foi precisamente a abundância de peixe que atraiu desde tempos imemoráveis para este local não só pescadores como industriais das conservas.

Até ao século xviii, o areal de Olhão resumia-se a um aglomerado de toscas
construções feitas de madeira, canas e palha, pois a edificação de pedra e cal não era autorizada. Não obstante, os filhos da terra queriam uma igreja digna, e desse desejo nasceu a ermida de Nossa Senhora da Soledade, presentemente conhecida também como igreja pequena. Estava, deste modo, erigido o primeiro edifício de alvenaria de Olhão, que serviu de igreja matriz até à construção da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no século xvii, bem no centro da cidade, com donativos dos pescadores. Situada na Praça da Restauração, possui uma fachada barroca esplendidamente decorada, onde sobressaem o escudo do frontão, ladeado por dois anjos. A torre sineira ainda hoje se destaca entre o casario. Na retaguarda da igreja localiza-se a capela de Nossa Senhora dos Aflitos, a quem, por razões óbvias, os pescadores têm grande devoção.

O alvará régio foi concedido à cidade de Olhão em 1808, quando 17 navegadores conseguiram atravessar o Oceano Atlântico, sem fazer uso de cartas náuticas, para avisar o Rei de Portugal que as tropas invasoras francesas tinham sido derrotadas.

A arquitectura da zona histórica de Olhão revela a influência árabe na região. No ambiente ruidoso e frenético dos dois mercados, situados na avenida à beira-mar, pode-se admirar uma impressionante diversidade de peixes e mariscos frescos todas as manhãs.

Uma "ferryboat" transporta os visitantes de e para as pequenas ilhas vizinhas de Culatra e Armona, onde praias inexploradas convidam para um agradável mergulho no Atlântico.